Dewi Blog Expressões que desafiam a lógica: como aprender idiomas sem traduzir tudo ao pé da letra
Expressões que desafiam a lógica: como aprender idiomas sem traduzir tudo ao pé da letra
Aprenda idiomas de forma divertida com expressões que não fazem sentido se traduzidas. Descubra como o indonésio e o português se comparam e use a memória visual para fixar.
Quando você está aprendendo um idioma novo, chega uma hora em que bater o olho numa frase e traduzir palavra por palavra simplesmente não funciona. É o momento em que você percebe que bahasa Indonesia tem um jeito próprio de enxergar o mundo. Outro dia, uma aluna minha perguntou como se dizia “estou morrendo de fome” em indonésio. Eu respondi: saya lapar sekali. Ela olhou desconfiada e perguntou: “mas cadê a morte?”. Pois é, amiga, a morte não estava convidada para essa festa. Aprender idiomas é justamente aceitar que cada língua carrega uma lógica interna — e que tentar traduzir ao pé da letra pode render pérolas hilárias ou simplesmente te deixar confuso.

É por isso que, no blog de hoje, vamos explorar expressões que desafiam qualquer tentativa de tradução literal. Vou te mostrar como aprender idiomas pela via das imagens mentais, comparar algumas joias do português brasileiro com as do indonésio e, claro, praticar um pouco de pengucapan (pronúncia). Prepare-se para rir, porque algumas dessas expressões são de cair o queixo.
A lógica do corpo: onde a dor mora em cada língua
No português, quando algo nos afeta profundamente, dizemos que ficamos “de coração partido”. Já no indonésio, o coração não é o único órgão que sente. Existe a expressão sakit hati, que literalmente seria “doer o fígado”. Calma, não é nenhum problema médico! Sakit hati significa ter o coração magoado, estar chateado com alguém. Imagine a cena: você conta uma piada, ninguém ri, e você diz saya sakit hati — na verdade, você está dizendo que ficou magoado, não que precisa de um hepatologista. Essa diferença mostra como cada cultura localiza as emoções no corpo de um jeito único. Enquanto a gente sofre no peito, os indonésios sofrem no fígado. E se alguém te perguntar kamu sakit apa? (o que você está sentindo?), não responda apontando para o abdômen, hein? A não ser que você realmente tenha exagerado no nasi goreng.
Animais que falam por nós
Outra área onde as línguas se distanciam é no reino animal. Em português, quando alguém está distraído, dizemos que a pessoa está “no mundo da lua”. No indonésio, a distração tem cara de peixe: lupa daratan. Espere, daratan é “terra firme”. Então a expressão seria “esquecer a terra firme”? Isso mesmo! Quando você está tão focado em algo que perde a noção da realidade, você “esqueceu a terra firme”. É como se você estivesse navegando e, de repente, esquecesse que existe chão sólido por perto. Já pensou se a gente falasse “fulano esqueceu a terra firme” em vez de “está no mundo da lua”? Talvez soasse mais poético. E para completar o zoológico linguístico, temos kambing hitam, que é o “bode preto”. No Brasil, a gente joga a culpa no “bode expiatório”. Na Indonésia, o bode é preto e também leva a culpa sozinho. Ou seja: em qualquer língua, alguém precisa pagar o pato — ou virar bode.
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